Idealismo e Realismo na Teoria Democrática (Parte 1) - Afinal o que é democracia?

domingo, 25 de setembro de 2011

Para esta postagem, usarei como referência o livro A teoria da democracia revisitada, do cientista político italiano Giovanni Sartori.

A análise de um conceito como a democracia é uma tarefa razoavelmente complicada. O termo é capaz de trazer um sem-fim de interpretações, muitas delas conflitantes entre si. Apesar de possuir opositores por certo tempo, a democracia passou a ser um título honorífico para as instituições sociais e políticas. No cenário com que nos deparamos, nenhum defensor de qualquer regime deseja que este seja considerado antidemocrático. A fluidez do conceito é estimulada, uma vez que uma definição permitiria diferenciar mais facilmente o que é e o que não é democrático. A resistência apresentada para uma formulação unânime do que afinal é a democracia acaba por contribuir para a fragilização da mesma. Ora, se a democracia é algo tão indefinido, pode ela ser qualquer coisa? Afinal, o que vem a ser a democracia?
A raiz da questão reside no seguinte problema: a democracia tanto é um ideal (ou melhor, vários ideais, que por vezes são incongruentes entre si) como uma forma de governo. Ao mesmo tempo em que a palavra descreve uma realidade empírica – os governos democráticos – ela prescreve como o regime ideal deve ser. Tomando a palavra de forma literal, temos o significado “poder do povo”.  A palavra demokratía, cunhada pelos gregos na antiguidade, se referia a um conceito político. Tratava-se, obviamente, de uma democracia política. No entanto, hoje temos uma ideia expandida de democracia, que engloba os âmbitos do econômico e do social. Longe de serem negativos, no entanto, esses sentidos são em grande parte responsáveis pela situação de democracia confusa.