A análise dos
Sistemas Políticos tem como objetivo permitir à Ciência Política uma maior
efetividade na compreensão dos diversos fenômenos políticos. O termo Sistema
Político apresenta-se como preferencial em lugar de outros como “governo”,
“nação” ou “Estado”, uma vez que não está limitado por significados legais,
institucionais ou sociais e tampouco está confinado a um determinado conjunto
de instituições geralmente encontrado nas sociedades ocidentais modernas.
Então, o que é
um “Sistema Político”? Como ele se estabelece e se diferencia das demais áreas
da vida social e como se relaciona com as mesmas? Um Sistema Político está
basicamente associado ao monopólio do uso da força física legítima dentro de
uma sociedade – legítima a partir do momento em que se reconhece sua natureza
como justificável. Somente as autoridades políticas detêm um direito,
relativamente aceito, de em certas circunstâncias, fazer uso da força e exigir
obediência com base nela. Dentro de um
sistema político estão incluídas as interações que podem afetar ou ameaçar o
uso legítimo da força, dessa forma, insere-se no sistema político não só as
organizações governamentais como os legislativos, órgãos de administração e
instâncias judiciais, mas também todas as estruturas, grupos familiares e
sociais em seus aspectos políticos. De forma alguma o sistema político
resume-se à força, à violência ou à obediência compulsória, no entanto, sua
relação com a força é seu caráter distintivo. O político preocupa-se com metas
como, por exemplo, o bem-estar social, a segurança nacional, o crescimento
econômico que se relacionam a ações compulsórias (quando necessário exigir
obediência) como impostos, elaboração de leis e políticas de defesa.
A caracterização
sistêmica do conceito traz consigo a noção de interdependência das partes do
sistema – ou seja, a alteração de uma parte implicará alteração nas demais – e
a noção de fronteira, que implica que um sistema começa em um lugar e termina
no outro – o que é problemático ao se considerar sistemas sociais e políticos,
uma vez que as esferas dialogam e relacionam-se entre si. Deve-se ter em mente
que os sistemas constituem-se de papéis, não de indivíduos, ou seja, uma pessoa
pode representar um papel dentro de um sistema e ao mesmo tempo representar outros
papéis distintos em outros, cruzando diversas fronteiras. Da mesma forma,
demandas dos diversos sistemas influenciam e são influenciadas pelo político.
Dois elementos
constitutivos dos sistemas políticos são a estrutura e a cultura. A estrutura
diz respeito basicamente às instituições, às regras e aos papéis que se
organizam entre si formando conjuntos de subsistemas que interagem entre si –
por exemplo, o corpo legislativo que se relaciona com o executivo, etc. A
cultura por sua vez representa a dimensão psicológica do sistema político. Ela
é formada por atitudes, crenças, valores e aptidões comuns a uma população. São
inclinações que afetam a forma de interagir dentro do sistema político. Pode
haver várias inclinações particulares a diversos grupos dentro de uma
população, que podem ser chamados de subculturas. A análise de um sistema
político não se resume, portanto, à observação dos padrões comportamentais e de
interação num período de tempo, mas também das inclinações subjetivas dentro do
sistema em sua totalidade e suas partes.
Como formulado
pelo cientista político norte-americano David Easton, o sistema político
relaciona-se com o ambiente ao seu redor atráves de inputs e outputs. Os inputs
são o que o mantém em funcionamento e podem ser de dois tipos – demandas ou
suportes. Há diversos tipos de demandas
que são levadas ao sistema político, que variam entre si em forma e
intensidade, além de poderem combinar-se entre si. Exemplos de demanda são:
demandas por regulamentação de comportamento, como as medidas de segurança
pública ou a formulação de normas para o controle das diversas esferas da vida
social; demandas por distribuição de benefícios e serviços; demandas por
participação no sistema político e demandas por comunicação e informação. Por
sua vez, temos os suportes que dão sustentação ao sistema. Os suportes podem
ser materiais, como pagamento de impostos e taxas por serviços; obediência às
leis e regulamentos; suportes de participação como o voto e a discussão
política e a atenção às comunicações governamentais e o respeito pela
autoridade pública. Basicamente, as demandas são o que orientam a ação e metas
do sistema, enquanto que os suportes fornecem os recursos que lhe permitem atingir
suas metas. Os inputs podem originar-se na sociedade que circunda o sistema
como também serem oriundas do próprio sistema ou serem fruto de pressões
externas do sistema internacional.
Os outputs
representam as conseqüências do sistema político, são as respostas dadas por
ele às demandas. Sem os outputs, não faria sentido tomar o sistema político
como objeto privilegiado, uma vez que sua relevância seria nula. Os outputs
representam basicamente transações iniciadas pelo sistema político que em geral
correspondem aos suportes e podem ou não corresponder às demandas, a depender
da responsividade do sistema observado. Alguns exemplos destas transações são
as extrações (como os impostos), contribuições e serviços; regulamentações de
comportamento; distribuições de benefícios e serviços, oportunidades, honrarias
e emissões simbólicas como afirmação de valores, apresentação de símbolos e
declaração de metas.
Através dos
inputs e outputs podemos analisar a capabilidade do sistema político. A
capabilidade (capability) mostra como ele atua de forma relativamente autônoma
dentro de seu ambiente. A depender dos tipos de inputs e outputs, teremos
diversos tipos de capabilidade. Sistemas totalitários tendem a suprimir as
demandas da sociedade ao seu redor e são pouco responsivos às demandas
externas, ao mesmo tempo em que buscam extrair o máximo de recursos da
sociedade e a ela impõem e regulam os comportamentos dentro da sociedade. No
caso das democracias, os outputs de regulação, extração e distribuição são os
mais afetados pelas demandas dos grupos de sociedade, tendo assim uma elevada
capabilidade responsiva. As capabilidades são em geral classificadas como
reguladoras, extrativas, distributivas e responsivas e são a forma de dizer
como o sistema está afetando e sendo afetado pelo seu ambiente.
Outro aspecto
importante do funcionamento é a compreensão dos processos internos do sistema,
os processos de conversão nos quais os inputs são transformados em outputs. São
os métodos pelos quais demandas e suportes dão origem a decisões e são
implementados ou cumpridos. Para entender os processos de conversão devemos
considerar de que forma as demandas são formuladas (articulação de interesses);
como são combinadas com alternativas de ação (agregação de interesses); as
regras oficiais formuladas (elaboração de regras); as regras são aplicadas e
impostas (aplicação de regras); como a aplicação é determinada pela lei em
casos individuais (adjudicação de regras) e como essas atividades são
comunicadas dentro do sistema político e em seu ambiente (comunicação).
Os principais
fatores ao se considerar o desenvolvimento político são:
1.
Os
tipos de problema que o sistema político enfrenta, ou seja, quais demandas são
levadas a ele. A estabilidade de um sistema está ligada a sua capacidade e
forma de responder às demandas que são levadas ao seu âmbito pelos diversos
grupos da sociedade. Cada sociedade tem suas demandas particulares, variáveis a
depender do período de tempo e relacionáveis entre si e com diferentes graus de
intensidade.
2.
Os
recursos que o sistema possui para sustentar-se. Os suportes, assim como as
demandas, oscilam com o tempo, diminuem ou aumentam, podendo despencar a níveis
críticos que impedem o funcionamento do sistema.
3.
A
forma com a qual um sistema político afeta ou é afetado pelos demais sistemas
sociais. Até onde ele é pressionado pelas demandas externas irá depender de sua
capabilidade. Um sistema de capabilidade distributiva, por exemplo, terá uma
relação de interdependência com a economia mais elevada. Da mesma forma
conturbações na vida social como colapsos nos sistemas étnicos, religiosos ou
econômicos podem criar demandas que sobrecarregarão o sistema político.
4.
O
padrão de funcionamento do próprio sistema. Alguns sistemas têm mais facilidade
de se adaptar do que outros às oscilações de demandas e suportes. Um sistema
com uma burocracia especializada e desenvolvida irá se acomodar mais
prontamente às demandas por novos regulamentos e serviços. Um sistema preparado
para uma alta capabilidade responsiva poderá ajustar-se às demandas dos grupos
novos e a perda do suporte de alguns grupos antigos.
5.
Como
último fator, temos as respostas das elites políticas – no sentido do corpo de
indivíduos que detém posições estratégicas com a capacidade de afetar
substancialmente e regularmente os desenlaces políticos. As respostas podem
tanto levar à acomodação passiva das novas demandas sem grandes alterações no
sistema político ou levá-lo ao colapso.
A análise
sistêmica do mundo da política nos permite enxergá-lo como algo dinâmico, onde
os fenômenos não aguardam passivamente a análise do observador. Trata-se,
portanto, da análise progressiva de sistema e processos, não o estudo de algo
estático e imóvel.
Referências bibliográficas:
ALMOND, Gabriel A; POWELL Jr., Bingham –
Uma Teoria de Política Comparada. Rio de Janeiro, Editora Zahar, 1980.
EASTON, David – Uma Tentativa de Análise
Política Comparada. In: AMORIM, Maria Estela (Org.) Sociologia Política. Rio de
Janeiro, Editora Zahar, 1970.

7 comentários:
OBRGADO PELA INFORMAXAO SEM COMENTARIO
Otpmo mas faltam os tipos
isso ajudava si focem mais precisos por favor
Gostei do artigo, foi bem detalhado
É muito lacónico!
É muito lacónico!
Obrigado pela informacao, politica é extensa
Postar um comentário